O Grande Conflito




Essa é uma batalha cósmica na qual todos nós estamos envolvidos.


O Grande Conflito
Toda a humanidade está agora envolvida em um grande conflito entre Cristo e Satanás, a respeito do caráter de Deus, Sua lei e Sua soberania sobre o Universo. Esse conflito originou-se no Céu, quando um ser criado, dotado de liberdade de escolha, em auto-exaltação tornou-se Satanás, o adversário de Deus e induziu à rebelião uma parte dos anjos. Ele introduziu o espírito de rebelião neste mundo, quando levou Adão e Eva a pecar. O pecado humano resultou na distorção da imagem de Deus na raça humana, a distorção do mundo criado e sua devastação no tempo do dilúvio. Observado por toda a criação, este mundo tornou-se a arena do conflito do Universo, ao fim do qual, o Deus de amor, finalmente, será vindicado. Para ajudar o Seu povo na presente controvérsia, Cristo envia o Espírito Santo e os anjos leais para guiar, proteger e sustê-los no caminho da salvação.
(Ap 12:4-9; Is 14:12-14; Ez 28:12-18; Gn 3; Rm 1:19-32; 5:12-21; 8:19, 22; Gn 6–8; 2Pe 3:6; 1Co 4:9; Heb. 1:14.)


Ed, tio de minha esposa, era soldado na Segunda Guerra Mundial. Certo dia, por engano, entrou no terreno inimigo e encontrou as botas de um amigo, perto de uma fogueira extinta. Não vendo o companheiro em nenhum lugar por ali, temeu pelo pior. No desfecho da história, essa foi uma ocasião em que Ed usou definitivamente suas armas.
Recentemente, ao retornar de uma visita à casa dos pais, minha esposa trouxe uma das armas do tio Ed: um punhal. Examinei-o cuidadosamente. Media cerca de 40 centímetros de comprimento com uma lâmina medindo pouco mais de 24 por 5 cm, em sua parte mais larga. A alça foi fortemente encordoada para melhorar a aderência e, veja bem, tinha sete nós de latão, conhecidos como ‘soco inglês’, capaz de matar com apenas um golpe. Gravado na bainha de couro, constavam as palavras Denzil Don 1942. Quanta história aquele punhal poderia contar!
Vamos em frente, de joelhos, orando uns pelos outros, vestidos com a armadura de Deus e guiados pelo Espírito.
Mas o próprio tio Ed, tipo reservado, nunca falou muito sobre a guerra. Ele não gostava de falar sobre ela. Não gosto de falar sobre isso também. Não gosto, inclusive, de pensar em jovens, rapazes e moças, saindo para a guerra.
E por que estou escrevendo sobre esse assunto? Alguém da Adventist World pediu-me para ser um tipo de correspondente de guerra. Não no Afeganistão ou Iraque, mas da mãe de todas as guerras: O GRANDE CONFLITO ENTRE CRISTO E SATANÁS.
Veja como João, o revelador, descreve esse conflito: “Houve peleja no Céu. Miguel e os Seus anjos pelejaram contra o dragão. Também pelejaram o dragão e seus anjos; todavia, não prevaleceram; nem mais se achou no Céu o lugar deles. E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a Terra, e, com ele, os seus anjos” (Ap 12:7-9).
Lembro-me da atitude de minha mãe, quando eu era criança e gostava de assistir aos jogos de baseball do Chicago Cubs, no canal 9. Quando ela ouvia, nos intervalos, o som da propaganda de cerveja começando, ela corria até a sala, abaixava o volume e ficava em frente da TV cobrindo a tela com o vestido, de modo que eu não visse o que estava se passando nela. Você pode achar engraçado, mas funcionou. Até hoje, nunca provei uma gota de cerveja!
Desempenhando o Papel
Qual é nossa parte no grande conflito? Quando criança, eu evitava brigar na rua, até que um garoto começou a me cercar com provocações. Tentei me desvencilhar dele por alguns dias, mas ele persistia. Finalmente, concordei e fomos para o chão. Apenas deitei de costas e deixei que ele sentasse em meu peito. Menos de um minuto mais tarde, ele se cansou, pulou fora e saiu correndo. Foi a última vez que ele me provocou.
Numa escala muito maior, Lúcifer começou uma briga com Deus por ciúmes da autoridade e poder do Filho. Ele manchou o caráter de amor de Deus, proclamando que Sua lei é injusta. Cristo, com Sua morte na cruz e uma vida sem pecado, provou que a lei de Deus é imutável e pode ser cumprida. A morte e ressurreição de Cristo tornaram possível a vida eterna, demonstrando que Deus realmente ama a todos e a expulsão de Satanás do Céu tinha sentido. Ele, porém, não destruiu o rebelde, pois Seus filhos poderiam servi-Lo por medo e não pelo amor, nutrido pela liberdade. Assim, esperamos para que Satanás seja desmascarado e revelado como realmente é. Esperamos para que o caráter amorável de Deus seja apreciado e Seu governo de justiça vindicado. (Veja O Grande Conflito, Ellen G. White, p. 492-504.)
Esperar e observar, porém, é tudo o que podemos fazer? Certa ocasião, fiquei decepcionado com um obreiro e me opunha a ele sempre que possível. Um desentendimento administrativo transformou-se em uma chama que estava destruindo, não apenas meu relacionamento com meu irmão, mas minha própria experiência como cristão. Desesperado, procurei uma solução na Bíblia. Encontrei-a no Salmo 37.
“Descansa no Senhor e espera nEle, não te irrites por causa do homem que prospera em seu caminho, por causa do que leva a cabo os seus maus desígnios. Deixa a ira, abandona o furor; não te impacientes; certamente, isso acabará mal. Espera no Senhor, segue o Seu caminho, e Ele te exaltará para possuíres a terra; presenciarás isso quando os ímpios forem exterminados” (Sl 37:7, 8, 34).
Conhecendo o Inimigo
É possível que o grande conflito seja realmente entre Cristo e Satanás e não entre o irmão Ferreira e o irmão José? Também não é entre cristãos genuínos e ateus, religiosos do mundo e apóstatas. Somos participantes ou espectadores? Na verdade, o Salmo 37 diz:“Espera e verá o que Deus fará.” Mas o apóstolo diz: “se possível… tende paz com todos os homens; não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A Mim Me pertence a vingança; Eu é que retribuirei, diz o Senhor” (Rm 12:18,19).
Assim, podemos participar vivendo em paz com amigos e inimigos, “seguindo a verdade e o amor” (Ef 4:15), demonstrando o caráter de amor de Deus por meio da bondade, perdão e, se possível, transformando inimigos em irmãos e irmãs na família de Deus.
“Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Ef 6:12). Nossa luta não é contra seres humanos, mas contra Satanás e seus demônios, diz Paulo. Devemos amar nossos semelhantes, tratá-los com gentileza e respeito. Devemos ir adiante, de joelhos, orando uns pelos outros, na armadura de Deus, acompanhados pelo Espírito (Ef 6:13-19). Jesus provou ser mais forte do que Seus adversários espirituais, e Ele lutará contra eles por nós.
Praticando a Bondade
Ao vermos o mal nos seres humanos, como evitar lutar contra eles? Podemos aprender com os SULADS, do Colégio Mountain View, nas Filipinas. Esses estudantes missionários alcançam as comunidades de Monobo e Tallandig, ajudando-os com saúde, agricultura e alfabetização.
Os guerreiros tribais e outros, entretanto, ameaçam seu bem-estar e, por extensão, o daqueles que trabalham com eles. Certa ocasião, um grupo de SULADS encontrou alguns desses “piratas” boiando no mar, após naufrágio de seu bote. Eles não acreditaram, mas foram resgatados e socorridos em vez de abandonados para morrer. Esse incidente abriu as portas para o estabelecimento de uma escola na região. Durante o verão de 2007, um dos SUDADS foi tragicamente baleado e morto; agora, porém, de acordo com a página Web dos SULADS, o assassino foi perdoado.
Inacreditável, mas verdadeiro! Os SULADS não lutam com punhais Ranger, mas praticam a bondade e o amor. À sua própria maneira, estão lutando contra os poderes do mal pela dependência diária de Deus, demonstrando, por atos de misericórdia e perdão, que a essência do caráter de Deus é o amor.

Por Douglas Matacio

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